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No dia 21 de setembro celebramos o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. No último senso demográfico do IBGE, 45,6 milhões de pessoas declararam ter pelo menos um tipo de deficiência, seja do tipo visual ou motora, por exemplo, e representavam já em 2010, 23,9% da população brasileira. Ainda conforme a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) de 2014, a maioria das prefeituras não promove políticas de acessibilidade, tais como lazer para pessoas com deficiência (78%), turismo acessível (96,4%) e geração de trabalho e renda ou inclusão no mercado de trabalho (72,6%) - estes dados estão disponíveis no portal do IBGE.

Todos nós precisamos nos locomover diariamente para o trabalho, de volta às nossas casas, supermercado e etc, e necessitamos ao menos de calçadas e ruas bem preservadas em nossos municípios, não? Mas não é bem assim, infelizmente.

Já cansei de ver bairros aqui em São José onde de um lado temos calçadas super bem construídas, sem nenhum buraco, e do outro parece que tacaram uma bomba - já perdi a conta de quantas vezes quase quebrei minha perna devido a essas lindas crateras.

Agora um fato que me deixou realmente perplexo diante da falta de uma padronização, de desenvolvimento, planejamento e construção de nossas calçadas, no caso, foi quando na segunda-feira dia 13/08, socorri um cadeirante que estava no meio da Av. São João em São José dos Campos. O sinal ainda estava fechado, mas em minutos era capaz de algum carro atropela-lo. Ele gritava para que alguém tirasse ele da rua e o ajudasse a subir na calçada, porém ninguém o auxiliou. Já eu, estava um pouco distante dali ainda, e apenas pela expressão de desepero dele, atravessei a avenida, ajudei-o e o levei até o prédio de sua amiga a poucos quarteirões dali.

No caminho, fomos conversando e ele criticou as condições das calçadas em geral, tanto para cadeirantes quanto para pedestres sem limitações físicas. Triste também é ele ser cadeirante justamente devido a um acidente há 15 anos, vítima de atropelamento por motorista em embriagado no bairro do Bosque dos Eucaliptos também em São José dos Campos.

Calçadas sem acessibilidade e extremamente desgastadas? Isso não é nenhuma novidade! Já conversei com uma cadeirante, já há alguns anos, e ela conta também que caiu da cadeira de rodas varias vezes e machucou o rosto, braços e perna pelo fato da calçada ter uma guia muito elevada e sem a famosa “rampinha”. Fora que muitas calçadas, já acessíveis, ficam em cima de bueiros - o que se torna perigosíssimo para qualquer pessoa! Já pensou se a “tampa” do bueiro cede? Meu Jesus ...

Afinal, o nosso direito de ir e vir de maneira digna, assegurado pelos Direitos Humanos, deve ser cumprido. E já que estamos em época de eleição - único período onde os nossos governantes convenientes resolvem arregaçar suas mangas - peço que todos que desejem Calçads Dignas de Todos, reflitam sobre as propostas de planejamento urbano dos candidatos não só de nosso País, mas dos governos estaduais, e sobretudo municipais. Afinal, temos que primeiramente prezar pela cidadania e bem-estar de todos em cada uma de nossas cidades, e consequentemente teremos um Estado e um País mais acessíveis a todos com ou sem limitações, e acima de tudo dignidade não só nas calçadas, mas na educação e saúde, por exemplo , diga-se de passagem.

Em sumo, pensemos que não é novidade que juntos somos mais fortes, e a ideologia da cooperação entre os cidadãos é o que concretiza uma sociedade justa apesar das divergências políticas. Por esse motivo, todo o povo deve se unir, identificar os problemas, leva-los ao nossos governantes e acompanhar se as propostas estão sendo postas em prática! Ah, mas, por quê? Porque ativistas-de-sofá e governantes-de-cadeira não mudam país nem sociedade nenhuma! Se bem que no sofá assim como na cadeira eles não correm o risco de quebrar a perna.

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Felipe Marques