Eleitor na urna votação

Outubro está bem aí. Quando menos esperarmos já terá chego o dia 7 de outubro quando os brasileiros irão às urnas para elegerem os novos governadores, deputados federais e estaduais e um terço do Senado Federal. Será a oportunidade de mostrar mais uma vez se evoluímos ou se continuamos “passíveis” diante de um problema que nós mesmos questionamos: a qualidade de nossos representantes.

O voto é nossa grande arma e com ele podemos ajudar a transformar a sociedade onde vivemos

Mesmo com o país vivendo os efeitos de uma operação Lava Jato, que de alguma forma estancou e espantou um pouco a sangria da maldita corrupção que corroeu e destruiu inclusive sonhos e esperanças de gente que sempre acreditou em pessoas, mormente aquelas que aparentavam possuir um patrimônio moral, no mínimo aceitável.

Esse tema que escolhi me leva a refletir sobre dois momentos da política paulista e carioca, os quais além de servir de uma grande e séria advertência, constituiu-se num grande momento de humor que acabou fazendo escola. Refiro-me a eleição em 1959 em São Paulo, quando a revolta contra o baixo nível dos cerca de 450 candidatos a vereador o jornalista Itaboraí Martins inventou e lançou a candidatura de figura mais simpática, até então pouco conhecida, que residia no Zoológico paulista.

A rinoceronte fêmea Cacareco foi a escolhida e o povo não hesitou em dar total apoio a ela, elegendo-a com a mais votada naquela ocasião. Foram nada menos que 100 mil sufrágios. Estava feito o protesto. Naquela eleição, alguns bons de votos ficaram a ver navios ou melhor, a ver os eleitores cochichando nos quatro cantos que o Cacareco era melhor que o letrado político reprovado nas urnas.

O fato foi notícia até na reconhecida revista americana Times, que dedicou página inteira à gozação dos brasileiros para com seus políticos. É lógico que os autores da façanha queriam ver a posse no enorme paquiderme, mas, é claro, uma hora a brincadeira acabou e Cacareco pode usufruir do enorme sucesso lá mesmo no Zoológico. Dizem que até  alimentação dele melhorou depois da consagração pública.

Quase 30 nos depois foi a vê do Rio de janeiro eleger também com o voto de protesto um chipanzé cujo apelido era Macaco Tião. O exemplo paulista foi seguido à risca, mas o Novo vereador carioca também não pode tomar posse. Essas formas de protesto nos leva a refletir o que poderá acontecer em outubro próximo. Teremos mais exemplos de Cacarecos ou Macacos Tião? Explico.

O que se houve muito agora é que o eleitor está mais maduro, que esclarecido e não pode mais brincar com o voto. Porém, entre essas afirmativas sobre a evolução para melhor do nível de quem voto são no mínimo contraditórias. E se aparecer algum “Cacareco” travestido de candidato registrado no Tribunal Regional Eleitoral e pedir seu voto de confiança você dará? Em tempo. O voto é nossa grande arma e com ele podemos ajudar a transformar a sociedade onde vivemos. Com ou sem humor, vamos levar a sério e se possível procurar conhecer quem insiste em representá-lo.

nivaldo_marangoni_1

Nivaldo Marangoni é jornalista, professor e colunista do Meon

Arquivo pessoal