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Há tempos venho refletindo sobre a complexidade do mundo de hoje. Um mundo que nos “bombardeia” com milhares de informações, com incontáveis problemas, com a eterna busca de soluções, com a contínua e velada “pressão” para ostentar e ter (dinheiro, poder, prestígio, etc.)... um mundo que tem um número assustador de pessoas com olhar distante, apagado, cabeças baixas, isoladas (inclusive no meio de outras pessoas) e com sua atenção, via de regra, totalmente dedicada a um pequeno aparelho – o telefone celular, que acabou sintetizando toda a existência e sentido de muitas e muitas vidas.

O celular passou a ser um item indispensável e até um vício insuperável para muitas pessoas. E, cada vez mais, a vida de muitas pessoas se resume aquilo que está sendo visto e mostrado por um pequeno aparelho celular!

Sou contra a tecnologia? Não, jamais! Acredito que a caminhada para o futuro é indissolúvel das novas tecnologias e inovações científicas; que novas descobertas e evoluções tecnológicas podem trazer mais curas de doenças, facilidades, informação, diversão, conexão e até acesso a lugares inimagináveis, mundos e pessoas virtuais, além de abrir um horizonte de novas possibilidades. Sob esses aspectos, a tecnologia é o caminho do futuro.

Mas, assim como uma moeda, tudo tem sempre um outro lado. Muitos afirmam que o desemprego e o fechamento de postos de trabalho são inversamente proporcionais ao incremento da tecnologia, substituindo humanos por mecanização ou por novos sistemas operacionais. Que pessoas tem sido cada vez mais substituídas por máquinas, o que gera desemprego em massa e um grave desequilíbrio nas sociedades modernas. E que amigos “de carne e ossos” tem sido substituídos por amigos e amizades virtuais.

Isso é ruim? Até certo ponto, não. Inegável que a tecnologia amplia nossos conhecimentos e horizontes, e favorece uma interação com pessoas de todos os lugares do planeta, coisa que jamais seria imaginável décadas atrás. Mas, a partir de certo ponto, extrapolando certos limites de “equilíbrio”, percebe-se que há pessoas literalmente “vivendo” no mundo virtual, cercando-se unicamente de amigos virtuais e delineando suas existências em razão de tudo aquilo que o mundo virtual trouxe de bom e de ruim.

E a partir de qual ponto isso tem sido ruim?

Quando há o exagero. Tudo o que é excessivo, tende a ser problemático. Desconsiderando exigências profissionais, pessoas que ficam horas e horas de seu lazer em frente à televisão, a um computador, ou diante da telinha do celular, podem enfrentar inúmeros problemas. Há diversas pesquisas e estudos científicos que tratam desse assunto, mas de maneira geral, são as pessoas que acabam sofrendo um isolamento social crônico; não aceitam o “não”, são pessoas com menor nível de tolerância e empatia; possuem baixa resistência psicofísica e pouca resiliência; possuem mais tendência a desenvolver graves problemas de saúde mental, psicológica e física; e enfrentam grande dificuldade de conviver em sociedade, o que é muito preocupante.

Por todos esses desdobramentos, acredito que estamos em um importante momento para resgatar a simplicidade em meio a tanta complexidade...

E o que seria, na prática, esse resgate à simplicidade?

Provavelmente, cada pessoa tem sua própria simplicidade. Há uma miríade de coisas que remetem às coisas mais simples e essenciais e, muitas delas, podem vir das boas memórias, dos pequenos sonhos e satisfações do dia a dia. Para isso, é preciso estar atento às pequenas coisas e atividades do dia a dia, e esse exercício diário pode ser um verdadeiro resgate à simplicidade.

Tenho minhas “estratégias” de resgate... e não preciso estar de férias para coloca-las em prática! Coisas simples, que fazem muita diferença, não me deixam esquecer que “sou gente”!

Acordar pela manhã, dar aquela espreguiçada gostosa e se desejar um “bom dia”.

Tomar um banho fresco, rápido e revigorante, sentir a água lavando e levando toxinas e energias negativas pelo ralo e ser grata pela dádiva de dispor desse recurso natural tão essencial à vida!

Tomar um café da manhã com calma, saboreando os alimentos, sentir a energia desses alimentos recarregando nosso corpo e ser grata a Deus por mais um dia.

Reservar um tempo para fazer suas refeições com calma, saboreando os alimentos, o lugar, o momento e a companhia, sempre que isso for possível.

Abraçar a família, os amigos, novos amigos, desejar a todos um “excelente dia”. Olhar nos olhos deles, parar para ouvi-los de verdade quando estiverem falando.

Colocar-se no lugar do outro, buscar sentir e entender o que o outro pensa ou sente... ser solidário sempre!

Cumprimentar com um sorriso todas as pessoas que passam por você na rua, no elevador do seu prédio, no seu trabalho, não importa quem.

Independentemente do que faz, trabalhar com alegria, fazer o melhor possível, fazer bem feito, saber que importa e pode fazer toda a diferença para alguém.


Ouvir música, aquela que você gosta, que eleva seu espírito, que te faz bem. Cantar.
Observar as coisas bonitas que estão no seu caminho, o céu, as árvores, como se movimentam ao sabor da brisa, o brilho do sol, da lua, das estrelas...

Andar descalço, sentir o chão onde pisa, sentir a energia vinda do solo, do planeta.

Fechar os olhos, ouvir de verdade os ruídos e sons que fazem parte da sinfonia da vida.

Enquanto puder, dizer para as pessoas que você ama: “Eu te amo”.

Que tal “resgatar a simplicidade” nessa virada de ano? Começar 2019 convivendo bem com a complexidade pela simplicidade no dia a dia? Vamos nessa? Eu vou!