nióbio

Brasil tem cerca de 98% do nióbio mundial

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O nióbio, de símbolo químico Nb, número atômico 41, densidade 8,57 kg/dm3, é de transição pertencente ao grupo 5 da tabela periódica dos elementos. É um material lustroso, com coloração cinza brilhante, dúctil e um metal paramagnético. É usado principalmente em ligas de aço para a produção de tubos condutores de fluidos. Em condições normais, é sólido.

O nióbio tem propriedades físicas e químicas similares ao do elemento químico tântalo e os dois, portanto, são difíceis de distinção. Em 1801, o químico inglês Charles Hatchett relatou a descoberta de um material similar ao tântalo e o denominou colúmbio. Entre 1864 e 1865, ficou esclarecido que "nióbio" e "colúmbio" eram dois nomes do mesmo elemento.

Por quase um século estes nomes foram utilizados de forma intercambiável. O nióbio foi oficialmente reconhecido como um elemento químico em 1949, mas o termo colúmbio ainda é utilizado na metalurgia. As primeiras aplicações comerciais deste elemento datam de começos do século XX. Existem poucas minas de nióbio com viabilidade econômica.

O Brasil concentra 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo, 842,46 milhões de toneladas, sendo historicamente o primeiro produtor mundial de nióbio e ferronióbio (uma liga de nióbio e ferro) e é responsável por 75% da produção mundial do elemento. Estima-se que o nióbio seja o 33° elemento mais abundante da Terra, com concentração de 20 ppm.

Alguns pesquisadores dizem que a abundância do nióbio no planeta é muito maior, porém não é possível encontrar mais fontes dos elementos porque este está no núcleo terrestre por causa da sua elevada densidade. A produção de aços especiais utiliza esse metal. Embora estas ligas contenham no máximo 0,1 % de nióbio, esta pequena porcentagem confere uma grande resistência mecânica ao aço.

A estabilidade térmica das superligas que contêm nióbio é importante para a produção de motores de aeronaves, na propulsão de foguetes e em vários materiais supercondutores. As ligas supercondutoras do tipo II, também contendo titânio e estanho, são geralmente usadas nos ímãs supercondutores aplicados na obtenção das imagens por ressonância magnética. Outras aplicações incluem a soldagem, a indústria nuclear, a eletrônica, a óptica, a numismática e a produção de joias. Nestas duas últimas aplicações ele é utilizado pela sua baixa toxicidade e pela possibilidade de coloração por anodização.

Minas Gerais tem as maiores reservas brasileiras de pirocloro

A partir de meados do século XX, o geólogo Djalma Guimarães descobriu a maior mina de pirocloro na região do Barreiro, em Araxá - MG, do qual se descobriu a maior mina de nióbio encontrada até a atualidade no Planeta Terra. Simultaneamente, houve o desenvolvimento das corridas espaciais nos Estados Unidos da América e na Rússia, que expandiu de forma exponencial no consumo de nióbio por parte da indústria aeroespacial.

Em 1955, a CBMM iniciou as suas operações industriais. Em 1965, o almirante norte-americano Arthur Radford convenceu o banqueiro Walther Moreira Salles a investir no mercado de nióbio, que atualmente é o maior produtor mundial. Atualmente, o Brasil tem três empresas no setor da exploração do nióbio, sendo elas: a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), o Anglo American Brasil Ltda. (Mineração Catalão Goiás), e a Mineração Taboca (Grupo Paranapanema).

Em Minas Gerais estão as maiores reservas brasileiras de pirocloro. A liga de ferronióbio é produzida através de uma sociedade em conta de participação, cuja Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). O site WikiLeaks divulgou em 2010 documentos sigilosos em que consta uma lista de locais vitais aos Estados Unidos em outros países.

O documento enviado pelo Departamento de Estado lista cabos submarinos com conexões em Fortaleza e no Rio de Janeiro e minas de minério de ferro, manganês e nióbio em Minas Gerais e em Goiás. O nióbio é usado em superligas e na fabricação de magnetos para tomógrafos de ressonância magnética. Incluía as minas e jazidas de nióbio no Brasil como recursos e infraestrutura estratégicos e imprescindíveis aos Estados Unidos, em que a liga C-103 foi desenvolvida no início dos anos de 1960 pela Wah Chang Corporation e a Boeing.

Algumas universidades brasileiras, como a USP, UNESP e a UFRJ, pesquisam as características do nióbio, a fim de desenvolver tecnologias no setor de supercondutores, na geração e transmissão de energia elétrica, na área aeroespacial brasileira, no sistema de transporte e na mineração, sendo amplamente empregados na construção de equipamentos químicos, mecânicos, aeronáuticos, biomédicos e nucleares.