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Muito se fala sobre o crime e a violência no Brasil e no mundo nos dias de hoje. Mas, sem dúvidas, nossa maior preocupação está atualmente... bem aqui: na nossa rua, bairro, na nossa cidade. 

Claro! A imprensa traz, todo dia e a todo momento, notícias e fatos que tem forte influência na formação da opinião pública. Só que, ainda que se saiba da enorme influência dos grandes meios de comunicação de massa (imprensa) na opinião pública, essa mesma opinião pública tem sido cada vez mais fortemente influenciada por informações de outras fontes e redes sociais, que trazem os fatos e crimes para “dentro” de nossas casas. 

Atualmente, temos “nas pontas dos dedos” fácil acesso a todo tipo de informação: noticia boa, notícia ruim, informação verdadeira e também falsa, a noticia mentirosa e também exagerada (a famosa “fake News”). Diversos estudos mostram que essa informação (mesmo mentirosa ou exagerada) tem forte impacto na formação da opinião pública e consequências reais: influenciam decisões, mudam resultados (de eleições, de enquetes públicas, por exemplo) e intensificam, também, o medo e a sensação de insegurança. As pessoas tendem a se isolar fisicamente umas das outras, tornam-se menos solidárias e passam a desconfiar de tudo e de todos, colaborando para fortalecer o “circulo vicioso” do medo e violência. 

Qualificar a nossa participação, escolhendo bem onde e como vamos direcionar nosso esforço e energia, também é um importante passo


Por outro lado, o crime acontece. E temos a sensação de que acontece bem próximo de onde moramos, onde trabalhamos, que está “na espreita” quando andamos nas ruas... por isso, precisamos ter consciência de que somos atores ativos desse cenário, e que podemos colaborar muito para com a segurança pública – e consequentemente, a nossa também.

Os problemas relacionados à segurança pública não serão resolvidos por um “super herói” ou por uma “super instituição” e sim, a partir de uma comunidade coesa e organizada. Assim, é possível atuar juntos, para alcançar bons resultados na melhoria da segurança pública. E dentre diversas frentes possíveis, há duas delas que são principais e muito práticas: participação e respeito.
Para ter uma boa participação (na sociedade, no nosso trabalho, na família e até na construção das nossas próprias vidas), primeiro é imprescindível ser mais seletivo e atento à qualidade da informação que se recebe e transmite (ou retransmite). É preciso procurar fontes confiáveis, filtrar melhor a informação para saber se é verdade, se tem exagero, partes mentirosas ou manipuladas.

Retransmitir só aquilo que for verdade, confiável. Assim, forma-se uma opinião pública mais solida, menos contaminada com mentiras e boatos, reduz-se o repasse das “fake News”, o estresse e o gasto inútil de energia, não só o nosso, mas também de terceiros que recebem a informação e serão “transmissores” potenciais. Quando sabemos a verdade, não estressamos sem necessidade com boatos ou mentiras, tampouco emitimos opiniões “bombásticas”, que apavoram os outros sem necessidade. Há menos desgaste, menos boatos e sobra mais tempo e atenção para focar nossa energia e atenção às coisas mais importantes.

A boa participação também envolve maior atenção para as nossas próprias atitudes e para o ambiente que nos cerca. Quando estamos bem informados, naturalmente ficamos mais atentos ao ambiente que nos cerca e às nossas próprias atitudes, reduzindo nossa vulnerabilidade. Um criminoso, via de regra, sempre procura a facilidade ou oportunidade para agir. Assim, estar mais alerta ao entrar ou sair de casa ou do nosso carro, reduz o risco de ser surpreendido por um ladrão.

Escolher um momento ou um lugar mais seguro para mexer ou falar ao celular, reduz o risco de acidente e o potencial para um roubo. Evitar rotina, variar caminhos e hábitos do dia a dia, reduz a chance de emboscada. Avaliar com “olhar crítico” nossa casa ou local de trabalho, permite dotar de maior segurança esses locais, dificultando roubos ou danos. Existem centenas de dicas de segurança, disponíveis na internet e nos sites eletrônicos das polícias. O importante é estar atento para o comportamento pessoal, as rotinas e os ambientes que frequentamos, não ser um “alvo fácil” ou “vítima fácil” no dia a dia.

Qualificar a nossa participação, escolhendo bem onde e como vamos direcionar nosso esforço e energia, também é um importante passo para uma boa participação. Uma pessoa bem informada e atenta já ajuda muito, mas pode ajudar ainda mais participando ativamente da vida da sua comunidade. Sabe-se que a maioria das pessoas não tem tempo e que “tempo é dinheiro”, por isso, escolher bem “onde e quando” participar também é um fator crítico de muito sucesso.

Apesar de tantos problemas, o estado de São Paulo tem conseguido registrar bons índices na segurança pública e isso se deve não só ao trabalho das polícias, mas às estratégias de participação comunitária, como realização de Audiências Públicas, as reuniões mensais dos Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEG) e mais recentemente, a implantação do Programa de Vizinhança Solidária.

 O sucesso dessas estratégias deve-se essencialmente à adesão e participação das pessoas de bem, interessadas em ajudar, “colocar a mão na massa” por meio dos Conselhos, que abrem uma verdadeira oportunidade para o cidadão de bem ser ouvido e participar, efetivamente, da discussão dos problemas e soluções para a segurança pública de seu bairro e cidade. Uma das melhores formas de participação é através do CONSEG e para participar, basta perguntar na Unidade da Polícia (Militar ou Civil) mais próxima de onde você mora ou trabalha, ou mesmo, pesquisar na internet, pelo Portal da Coordenadoria Estadual dos CONSEG, http://www.ssp.sp.gov.br/conseg o CONSEG da sua cidade ou região.  

O respeito é a base essencial para viabilizar todo o esforço de cidadania, sinergia e união de forças em prol da construção conjunta de cidades mais justas, melhores e seguras 



Por fim, para garantir uma boa participação é também necessária uma boa comunicação. O famoso médico Abelardo Barbosa, popularmente conhecido como “Chacrinha”, comunicador das décadas 70 e 80, já dizia que “... quem não se comunica, se trumbica...”. Sábias palavras! Uma boa comunicação envolve não só a boa informação (que já sabemos ser “filtrar” melhor a informação, receber e retransmir só a verdade para não criar estresse e “fake News”, que em nada colaboram para com a segurança pública), mas saber “o que” e “como” comunicar. Muitos criminosos presos, armas e drogas apreendidas, são resultados de denúncias anônimas, ou seja, informações que pessoas de bem repassam, de forma segura, para que as polícias deem o devido tratamento.

Afinal, os problemas estão aí, tem criminoso atuando sim e, via de regra, sempre tem algum cidadão de bem (parte ativa da comunidade) que acaba vendo ou sabendo das coisas, diferente da polícia, que não é onisciente, onipresente e em nenhum lugar do mundo, consegue estar em todos os lugares, 24 horas, todos os dias. Denunciar é uma das melhores formas de participar. No Estado de São Paulo existe o Disque Denúncia, que é totalmente seguro para quem informa e importantíssimo para o sucesso das forças de segurança. Pode ser acessado pelo site http://www.ssp.sp.gov.br/servicos/denuncias/  ou pelo telefone 181.

Por fim, não basta a boa informação, a boa participação, se não houver respeito.

O respeito é a base essencial para viabilizar todo o esforço de cidadania, sinergia e união de forças em prol da construção conjunta de cidades mais justas, melhores e seguras para todos. Não existe segurança pública, sem educação. Não existe educação, sem respeito. Não existe respeito de verdade, se não houver respeito as diferenças. Assim, torna-se essencial respeitar a opinião do outro (por mais diferente que seja) e buscar o consenso, superando-se vaidades e pré-conceitos. Respeitar o outro, respeitar as diferenças, as diferentes opiniões, e fazer o melhor possível para buscar o consenso por meio da mediação e do diálogo é quase uma forma de amor.

 O respeito é consenso, é democracia, e também é amor ao próximo da forma mais pura e desinteressada. Respeitar é um dos mais importantes e basilares passos para a construção da segurança pública, junto com a boa participação. Veja, toda mudança começa de um ponto... e sem dúvidas, esse ponto é o respeito, que começa pela busca e pela defesa da verdade e... está aí, na prática, um caminho para que possamos juntos, fazer segurança pública: um círculo virtuoso, formado pela boa informação (verdade), pela boa participação (cidadania) e pelo respeito!

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