Nosso artigo dessa semana dá uma pausa nos assuntos políticos partidários para uma abordagem que no fundo, também é pertinente àquilo que fazemos neste espaço, mas o runo da proza é diferente, a começar pelo título.

Tomamos conhecimento por meio de um jornal de bairro da região Sul de São José dos Campos que há anos foi fundado por um colega de faculdade e abnegado jornalista que não parece tão animado com o destino tomado pela mídia, principalmente por quem, tenta levar em frente projetos de pequenos jornais. Infelizmente eles parecem fadados a silenciar-se para sempre.

A abordagem que pretendemos fazer nesse espaço é que a boa notícia diz respeito ao fato de um bom número de pessoas que moram em São José dos Campos - e também de cidades próximas, veêm a oportunidade de enxergarem novamente as belezas da natureza, o sorriso de uma criança, a singeleza do olhar de alguém mais experiente do que nós que entramos numa fase da vida onde ver e enxergar já não são prerrogativas naturais. Somos obrigados a nos servir de profissionais e lentes modernas – e caras, para o exercício diário de uma de nossas paixões: a leitura.

A noticia dá conta que a fila para transplante de córneas praticamente zerou na cidade, graças a parceria do eficiente Hospital Pro Visão, Prefeitura Municipal, por meio da Urbam- Urbanizadora Municipal que administra o serviço funerário local e o Banco de  Olhos de Sorocaba interior do estado. Mais de 500 córneas foram para um banco de transplante em menos de um ano. É algo elogiável e nesse particular há de se registrar o esforço de alguns vereadores da atual e de gestões passadas que tanto insistiram em pedir eu essas parcerias fossem seladas, em nome da volta da alegria de muitos que sonhavam com a possibilidade de recuperarem a visão, via transplante de córnea.

Somente quem tem algum problema grave de visão pode avaliar de fato o significado de uma cirurgia dessa magnitude nos olhos, apesar de saber que os avanços da medicina nesta área são fantásticos. Quem frequenta o Hospital Pro Visão observa a multidão que diariamente procura ali ao menos um fio de esperança na busca pela reabilitação do ato de ver e enxergar.

Resta agora as autoridades de plantão não medirem esforços para outra luta, quem sabe batalha a ser vencida a curto prazo: conscientizar as pessoas a fazerem em vida a autorização para a doação de córnea, em casos de acidentes ou morte por circunstâncias que não obstruam o transplante. É uma obrigação de todos ajudar a aumentar a chance de muitos voltarem  ver o mundo como ele é e não o que lhes dizem como é. Num só gesto de bondade vamos fazer muita gente feliz o que é altamente gratificante.

Nivaldo Marangoni

Nivaldo Marangoni, jornalista e professor, é colunista do Meon

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