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Museu dedicado a Mazzaroppi resgata memória do cineasta que viveu em Taubaté

Arquivo Meon

Na verdade, penso que, mais do que falar, devemos ir aos museus, e acredito que esse movimento de visita e presença aos museus é desencadeado pela fala. Eu explico. Há uma ideia cristalizada de que museu é um lugar de coisas velhas e de que visitar museu é como preencher e completar álbum de figurinhas: “esse eu já vi, não preciso ir lá”.

Taubaté tem 9 museus, enquanto 80% das cidades brasileiras não tem nenhuma instituição museológica

Eu já tive a oportunidade de dizer uma vez que museu é um lugar de estar. Ou seja, é um lugar para ser visto mais de uma vez, até porque a concepção contemporânea de museu é a de que o ele é dinâmico. Isso significa que suas exposições são constantemente trocadas ou alteradas, em alguns aspectos. Além disso, hoje o museu é um lugar em que se realizam muitos eventos, justamente pensando na possibilidade de atrair público e de oferecer um espaço, como de fato é, de lazer.

Nessa perspectiva, não há que se aprender, necessariamente, , quando se visita um museu. Pode-se simplesmente ir lá para pensar, passear, contemplar, para meditar, enfim. É um espaço que pode ser ocupado de muitas maneiras, e geralmente é um espaço público. Em minhas férias eu vou a museus, e as pessoas se espantam e questionam: por que você vai a esse tipo de lugar, em vez de curtis suas férias?. A minha resposta é: porque eu gosto, ir a museu não é trabalho para mim, é prazer, é lazer.

O museu não é lugar de coisa velha, é lugar de memória. É preciso mudar essa mentalidade e criar hábitos. Museu é lugar de estar, como eu já disse muitas vezes. É também lugar de lazer, de passeio. É, e pode ser, um lugar para relaxar da correria do dia a dia. Associamos museu com educação porque, com muita frequência, a primeira vez que vamos a um museu é numa atividade organizada pela escola.

A primeira vez que eu fui a um museu foi com o meu pai, como presente de aniversário. Acho lindo e significativo quando vejo famílias nos museus. Penso que escolas e famílias devem trabalhar em conjunto para criar hábitos para a formação das pessoas, e visitar museus é um deles.

Muito bem, agora que já falamos rapidamente sobre o que é, ou deve ser, um museu, hoje, vamos a uma curiosidade de que eu particularmente gosto.

Você sabia que Taubaté, proporcionalmente à densidade demográfica, é uma das cidades brasileiras que mais tem museus? Sim. Taubaté tem 9 museus, enquanto 80% das cidades brasileiras não tem nenhuma instituição museológica. Pois é, mas não basta ter essas instituições no município; a população precisa ocupar e vivenciar esses espaços.

Talvez o leitor esteja se perguntando: quais são os museus de Taubaté. São eles: 1) Museu Histórico e Pedagógico Monteiro Lobato (o nosso Sítio do Pica-pau Amarelo), 2) Museu Histórico de Taubaté (cujo nome oficial é Museu Histórico de Taubaté Paulo Camilher Florençano, uma personalidade sobre a qual desejo enaltecer em outra oportunidade, nesta coluna, 3) Pinacoteca Anderson Fabiano (uma pinacoteca é um museu de obras de artes plásticas), 4) Museu do Transporte, 5) Museu de História Natural (onde está exposta uma ossada de dinossauro encontrada em Tremembé, única no mundo), 6) Museu Mazzaroppi, 7) Museu da Imigração Italiana de Quiririm, 8) Mistau-Museu da Imagem e do Som de Taubaté, e 9) Museu de Arte Sacra de Taubaté Dom Epaminondas.

A partir da necessidade de atrair e compor público para esses espaços e da concepção contemporânea que apontei acima, os museus têm sido ocupados de diferentes formas, como exemplo, para casamentos. Imagine-se uma festa de casamento no pátio do Museu da Imigração Italiana, em Quiririm! Um cenário maravilhoso para a cerimônia e para a festa, não? Os museus têm usado esse tipo de ação inclusive para captação de capital, a ser revertido para a manutenção das instalações e da infraestrutura. Muitos museus na cidade de São Paulo são utilizados para eventos, não só casamentos, mas também lançamentos de livros, saraus, apresentações teatrais, etc. A gama é ampla, o que não falta é criatividade e vontade dos gestores que buscam formas de manter esses espaços para a população.

Dessa vez falei apenas dos museus de Taubaté, para começar, pois o vale do Paraíba tem muitos museus que podem e devem ser visitados. Lugares que guardam a nossa memória e estão à espera de visitação por todos os valeparaibanos.

Espero que este texto possa contribuir, de alguma forma, para que os museus de Taubaté sejam mais visitados e ocupados. Espero encontrar você em algum deles, caro leitor.

Rachel Abdala

Rachel Abdala é professora e colunista do Meon

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