coronel_nikoluk
Pessoalmente, este ano de 2018 entrou para a história. Fui voluntária para servir novamente, desta vez, na política, após honrar 30 anos de serviços prestados à população paulista na Polícia Militar. A decisão envolveu um esforço pessoal e um sacrifício familiar maior do que o imaginado, e o resultado final não foi o pretendido, porém trouxe experiências e aprendizados extraordinários!

Constatei que a política é simplesmente essencial para a vida em sociedade; que há sim, pessoas incríveis e políticos bons (além de bons políticos); e que há esperança de tempos melhores, onde o interesse público e o bem comum podem sim predominar sobre interesses pessoais, e sobre bem unicamente de si próprio...

Constatei que este ano, provavelmente, também entra para a história do nosso País, pela virada da “balança política” das Eleições 2018 que, na última década, esteve sempre pendente para a ideologia de “esquerda” e, este ano, mostrou uma inversão da preferência nacional, tendo a maioria dos brasileiros escolhido um cenário que privilegiou candidatos de ideologia de “direita”. Mas... o que é realmente “direita” e “esquerda” política no Brasil?

Uma breve pesquisa mostra que não há consenso absoluto, entre estudiosos da política, em relação à ideologia de “esquerda” e “direita”. De maneira geral, constata-se que a ideologia “de esquerda” defende maior interferência do governo e controle estatal em todas as áreas de gestão, mais controle social na busca de um ideal de igualdade absoluta, além da redução dos valores culturais e religiosos tradicionais da sociedade, enquanto a ideologia “de direita” defende maior liberdade de mercado, mais liberdade de direitos individuais contra o excesso de intervenção estatal, fortalecimento dos valores culturais e religiosos tradicionais e tendência a forte alinhamento patriótico, nacionalista. Até aí, tudo bem: são linhas ideológicas diferentes, que representam diferentes interesses da população, e que dentro de uma normalidade democrática, tendem a um equilíbrio social.

O que preocupa, na verdade, são os extremismos.

Uma pesquisa sobre a “extrema esquerda” ou “extrema direita” mostra esse perigo. A “extrema esquerda” defende, em linhas gerais, uma submissão da sociedade a um “Estado-Partido” por meio da “revolução” como caminho, forçando um igualitarismo pela intervenção desse Estado totalitário, além da extinção de valores religiosos e morais tradicionais, tudo justificado pela busca da total igualdade social.

Já a “extrema direita” criminaliza toda a esquerda, alicerçado na justificativa do dever de patriotismo-nacionalismo, e busca impor uma uniformidade religiosa e moral pelos valores tradicionais. Ambos os casos de “extrema”, direita ou esquerda, acabam por violar a democracia, ao desrespeitar as diferenças, não aceitar opiniões diferentes, impor as próprias ideias pela força ou pela doutrinação direta ou disfarçada, mas acima de tudo, ao colocar brasileiros contra brasileiros, via de regra, por interesses escusos, não ortodoxos.

De todas as vivências e experiências que alcancei, apoiada por uma equipe extraordinária e após quase 50.000 quilômetros percorridos no Estado de São Paulo, durante 45 dias como candidata nas Eleições 2018, a maior delas, sem dúvidas, foi a importância de ser fiel a dois valores essenciais: a Verdade e o Respeito.

Falar sempre a verdade, ser verdadeiro, ser exatamente o que somos, e acima de tudo, ser respeitoso para com as pessoas (não importa quem) e com as ideias (não importa quão divergentes e diferentes sejam) são valores determinantes para garantir o ideal de Servir ao próximo (e não a si mesmo), e para sustentar uma política pura, fiel aos princípios fundamentais da ética social, que é a busca do bem comum e do interesse público.

Somos um país ainda novo na história do mundo, “engatinhando” para uma democracia mais madura. Estamos crescendo como povo e como Nação. Escrevemos todo dia nossa história. Podemos sim, ser um grande País, e não só um País grande. Mas para isso, é necessário resgatar a boa política, uma política fundada sobre bases sólidas e valores essenciais, como honestidade, integridade, verdade e respeito, dentre outros.

O exercício da verdadeira democracia pressupõe a busca pelo justo, a garantia da pluralidade de opiniões, o debate, o respeito pelas diferenças e diferentes opiniões, o esforço pelo consenso e acima de tudo, a busca do interesse público e do bem comum. Resgata-se assim, a essência da ética social da política e os ideais de grandes filósofos, como Aristóteles ou São Tomas de Aquino. E é por meio das pequenas atitudes do dia a dia que poderemos, juntos, resgatar o tempo da honestidade, da verdade e do respeito! Sim, é desafiador, precisamos aprender como cidadãos a fazer juntos essa nova política, e é possível.

O momento é agora, o tempo é hoje.