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Catriona Gray da Filipinas 

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Na virada de domingo para segunda-feira, 16 e 17/12, ocorreu o 67º concurso de Miss Universo, o principal show de beleza do mundo, em Bangkok, na Tailândia. 94 belas moças disputaram a coroa, um novo recorde de participantes, batendo as 92 do ano passado.

E quem levou a melhor foi a representante das Filipinas, Catriona Gray. Franca favorita mesmo antes do concurso começar, e até mesmo que outras candidatas fossem eleitas em seus respectivos países, Catriona era a adversária a ser batida – o pacote completo: beleza, corpo, postura, passarela, oratória e facilidade em frente às câmeras. Gray trabalha como modelo, tem 24 anos e tem um mestrado em musicologia, além de ser ativista na luta contra o HIV. Filha de pai australiano e mãe filipina, ela nasceu em Cairns (Austrália) e se mudou para as Filipinas depois de terminar o ensino médio.

Ela é a quarta filipina a levar a coroa para seu país. A última, bem recente, foi Pia Wurtzbach, em 2015. Isso mostra a soberania e o favoritismo do país mais aficionado pelo concurso.

Em segundo lugar ficou a sul-africana, Tamaryn Green, havendo quase um back do back. Esse termo, muito usado no mundo miss, significa a possibilidade de uma atual miss coroar a sucessora do mesmo país. A Miss Universo 2017, Demi-Leigh Nel-Peters, também é da África do Sul. Tamaryn também era uma das favoritas, como todas do Top 5, e fez um concurso correto.

Apenas um fato sobre a colocação dela deve ser questionado: durante o desfile de Traje de Gala, ela teve dificuldade em caminhar com o vestido, pisando e tropeçando nele algumas vezes. Não acredito, portanto, que a segunda posição tenha sido justa para a moça, tendo em vista que outra candidatas desfilaram melhor do que ela (Monalysa Alcântara, Miss Brasil 2017, também tropeçou no vestido no desfile de Traje de Gala, e ela não avançou ao Top 5).

Isso vem afirmar minha posição sobre os métodos de votação nesse concurso que é: mesmo com um corpo de jurados presente (que esse ano, aliás, foi formado só por mulheres), a organização do concurso já tem suas predileções e os resultados, certamente, são decididos por eles, independente da opinião do júri.

Prosseguindo, tivemos Venezuela na terceira colocação e Vietnã e Porto Rico completando o Top 5. Muito era questionado a respeito do desempenho da venezuelana, Sthefany Gutierrez, principalmente durante o período de confinamento, que durou 15 dias antes da realização do concurso. Mas Venezuela é Venezuela – o país é conhecido por ser uma “fábrica” de misses, e Sthefany não desapontou na passarela, além da beleza e de toda simpatia apresentadas. Quem leu o último artigo do MEON, aliás, viu que a moça era umas das principais concorrentes da brasileira Mayra Dias, por serem muito parecidas de corpo, tom de pele e cabelo – as “Pocahontas” do concurso.

Sobre Vietnã e Porto Rico, particularmente eu colocaria as duas no Top 3 junto com Filipinas e tiraria África do Sul e Venezuela. A vietnamita, H’Hen Niê, teve um desempenho espetacular. Sua ousadia na passarela era de tirar o fôlego, e o visual com cabelos curtos chamava muito a atenção, e realmente combinava com sua personalidade. A porto-riquenha, Kiara Ortega, era dona de uma beleza ímpar, muito simpática e próxima aos fãs. Ambas tiveram excelente participação em todos os aspectos.

 A classificação por regiões e as zebras do concurso 

Lembram-se que no ano passado as misses que comporiam o Top 15 foram selecionadas por regiões mundiais (Américas, Europa e África-Ásia-Pacífico)?

Pois é, depois de muitas especulações, a organização do Miss Universo divulgou que esse formato continuaria, para desespero de todos os fãs do concurso. Só que dessa vez aumentaram o Top 15 para Top 20, visto o número de concorrentes e o fato de que realmente estava muito disputado, principalmente entre as candidatas americanas.

Resultado: candidatas que não despontavam entre as favoritas foram eleitas e, consequentemente, diversas candidatas com incrível potencial ficaram de fora. Para se ter uma ideia, nenhuma das selecionadas do quadro da Europa foi para o top 10! A impressão que ficou é que elas foram escolhidas por obrigação, para preencher uma lacuna obrigatória - que era a classificação das cinco moças desse continente.

Dentre as principais faltas nesse Top 20 estiveram Equador (talvez a maior potência das Américas esse ano, junto com Porto Rico e Canadá), Colômbia (cuja classificação no Top 3 vinha desde 2015), México, Espanha, Índia, Dinamarca, Malta e El Salvador.

Duas das candidatas que avançaram muito e não mereciam foram Nepal e Tailândia. A última com certeza por ser dona da casa, porque, comparada às compatriotas de 2016 e 2017, a tailandesa não tinha nada que chamasse a atenção. Já a representante de Nepal foi a grande zebra desse ano. Não se pode negar que era uma bela moça (como todas as concorrentes do nível do Miss Universo), mas claramente destoava do seleto grupo ao qual fez parte.

Mayara Dias no top 20 

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Mayara Dias 

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E, por fim, não podemos deixar de nos sentirmos orgulhosos pela participação de Mayra Dias nessa edição do concurso.

A amazonense de 27 anos sofreu com diversas críticas dos fãs ao longo do período de confinamento e teve a difícil tarefa de se sobressair em relação às fortíssimas concorrentes, como dito anteriormente. Especialistas e páginas de redes sociais sobre o Miss Universo do mundo todo não apostavam na classificação da brasileira. Havia até brasileiros que não acreditavam no sucesso dela, e a classificação por regiões mundiais só veio a reduzir as esperanças sobre nossa representante.

Particularmente, sempre discordei das críticas.

Eu estive na final do Miss Brasil em maio, no Rio de Janeiro, pelo Meon, e pude sentir de perto a soberania com que Mayra Dias desfilava na passarela e como ela se sobressaia facilmente perante as demais. Dona de um sorriso perfeito e um belo corpo, no momento que ela pisou no palco eu tive a certeza de que ela seria coroada naquele dia, em detrimento das minha favoritas até então – Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Não tenho dúvidas que a organização do Miss Universo viu em Mayra o que eu vi aquele dia, sem pretensão alguma. É estando ao vivo para ver o potencial dela de perto e o brilho que ela transmite.

Em contrapartida aos descrentes, muitos dos fãs viram nela uma das melhores representações que tivemos nos últimos anos. Todos os looks usados pela nossa miss durante o confinamento estavam corretos e valorizavam o porte dela; Mayra foi selecionada por diversos patrocinadores a realizar campanhas publicitárias para as respectivas marcas que apoiavam o concurso; ela foi uma das selecionadas a conhecer particularmente a princesa da Tailândia em um bate-papo fechado; sempre despontava nos vídeos comerciais do concurso, produzidos durante as atividades que as misses realizavam ao longo dos dias; e, para coroar, fez uma apresentação brilhante no desfile de Traje Típico. Intitulada “Deusa do Sol”, a roupa de Mayra era ornamentada de plumagem amarela, representando uma índia. E, para a surpresa de todos, ao acionar uma alavanca especial no traje, asas de um beija-flor levantavam e “voavam” juntamente com a feição da ave homenageada. O momento foi épico e o traje de Mayra foi o mais comentado no mundo todo. Infelizmente não ganhou o melhor Traje Típico do concurso, a vencedora foi a representante de Laos.

Mayra não foi escolhida como uma das representantes do quadro das Américas, mas sim no grupo Wild Card, que corresponde às cinco últimas selecionadas que podem vir de qualquer parte do mundo (ela foi a quarta a ser chamada!).

Outra mudança desaprovada no formato do concurso desse ano foi um pequeno discurso que cada miss do Top 20 teve que fazer defendendo sua causa social (se tivesse uma) e o porquê deveria ser eleita Miss Universo. Essa etapa tirou das selecionadas ao Top 20 a chance de desfilarem em traje de banho, tendo esse momento apenas no Top 10.

Mas, para surpresa geral da nação, Mayra discursou em inglês! Além da rápida conversa com o apresentador do concurso, Steve Harvey, após ser chamada ao Top, Mayra também utilizou da língua estrangeira na etapa do discurso, que durou cerca de 30 segundos para cada concorrente, falando sobre a bandeira da preservação ambiental que levantava, visto que a miss vem do Amazonas.

Ela foi a primeira miss que enfrentou o principal pesadelo de qualquer brasileira que já concorreu no certamente e não utilizou um tradutor para uma resposta mais longa. Embora o sotaque estivesse “abrasileirado” e a pronúncia de algumas palavras estava incorreta, Mayra conseguiu se expressar muito bem e nos encheu de orgulho, encerrando com chave de ouro sua participação na edição de 2018.

Nosso país bateu mais um recorde nesse concurso: com a classificação de Mayra, o Brasil entrou no Top pela oitava vez consecutiva, desde 2011, feito este realizado apenas por Filipinas e Estados Unidos, além de nós.

Miss trangênero

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Miss Espanha 

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O ano de 2018 também ficou marcado com a participação da primeira mulher transgênero da história a concorrer ao título de Miss Universo: Angela Ponce, representante da Espanha.

Escolha mais que criticada, Angela também sofreu com diversos ataques ao redor do mundo, como também a própria organização do concurso por aceitá-la a participar. Mesmo assim, a candidata representou muito bem seu país: sempre com muita classe, simpatia, e atenção para com os fãs.

Ela nasceu em uma cidade perto de Sevilha, iniciou um tratamento hormonal aos 16 anos e passou pela cirurgia para mudança de sexo aos 24, hoje ela tem 27. Trabalha como manequim e em uma ONG que ajuda jovens transgêneros.

O momento alto da noite, sem dúvidas, foi a homenagem que a organização do Miss Universo fez a ela. Um vídeo contando sua história emocionou toda a plateia e as colegas de concurso, e após, ela desfilou erguendo a faixa de seu país e foi ovacionada pelo público.

No vídeo, o discurso de Angela com certeza ficará para a história: “Minha esperança é que amanhã eu possa viver em um mundo com igualdade para todos. Que, simplesmente, entendamos que somos seres humanos. Devemos tornar nossas vidas mais fáceis, juntos. A realidade de muitas pessoas deve mudar. Se eu posso dar isso ao mundo, eu não preciso ganhar o Miss Universo. Eu só preciso estar aqui”.

Classificação Miss Universo 2018 

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Miss Porto Rico, África do Sul, Filipinas, Venezuela e Vietnã

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Miss Universo – Catriona Gray – Filipinas

2º Lugar – Tamaryn Green – África do Sul

3º Lugar – Sthefany Gutierrez – Venezuela

Top 5 – Kiara Ortega – Porto Rico

               H’Hen Niê – Vietnã

Top 10 – Marta Stepien – Canadá

                 Natália Carvajal – Costa Rica

                 Akisha Albert – Curaçao

                 Manita Devkota – Nepal

                 Sophida Kanchanarin – Tailândia

Top 20 – Francesca Hung – Austrália

                Zoe Brunet – Bélgica

                Mayra Dias – Brasil

                Sarah Rose Summers – Estados Unidos

                Dee-Ann Kentish Rogers – Grã Bretanha

                Enikő Kecskès – Hungria

                Sonia Citra – Indonésia

                Grainne Gallanagh – Irlanda

                Emily Maddison – Jamaica

                Magdalena Swat – Polônia

 

Miss Brasil 2019 

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Miss Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe

Reprodução 

E quem pensa que a competição só começa no ano que vem, está muito enganado!

Cinco Estados brasileiros já elegeram suas representantes, e as demais representantes serão escolhidas até o fim de fevereiro, com o certame nacional a ser realizado em março, mais cedo que esse ano, com data e local a serem anunciados.

Lembrando que quanto mais cedo escolhida nossa Miss Brasil, mais tempo de preparo ela tem para o Miss Universo.

E as escolhidas até o momento são essas:

Miss Goiás – Isadora Dantas

Miss Mato Grosso do Sul – Priscilla Vacchiano

Miss Santa Catarina – Patrícia Marafon

Miss São Paulo – Bianca Lopes

Miss Sergipe – Ingrid Moraes

E você leitor do Meon, concorda com o resultado do Miss Universo? Já tem sua favorita ao Miss Brasil 2019? Como podem ver, o mundo miss não para de girar, e nós sempre traremos todas as informações a vocês. A todos um excelente réveillon e até o ano que vem!