fotomontagem_ministro_bolsonaro2019 começa com um novo governo, que mesmo antes de assumir já elegeu  seus inimigos, e um deles parece ser os órgãos ambientais. Aliás essa é a nova “modinha eleitoral”, acabar com órgãos ambientais, ou fundi-los a outras pastas, comprometendo sua autonomia e fiscalização. Esse pacote vem sempre acompanhado das promessas de “enxugamento da máquina”.

O novo presidente tem disparado críticas contra os órgãos ambientais, em especial o IBAMA, já tentou (sem sucesso) acabar até com o Ministério do Meio Ambiente. Ruralistas perceberam o risco para o comercio exterior do Brasil e o convenceram a voltar atras.

Tanto ódio se justifica pelo fato do, então Deputado Bolsonaro, ter sido flagrado pelos fiscais do IBAMA pescando dentro de uma Unidade de Conservação Marinha, no litoral do Rio de Janeiro. Cabe lembrar que esse fato ocorreu em 2012 e a multa (de R$10 mil) até hoje não foi paga. Como consequencia desses discursos irresponsáveis, tem sido noticiado que os fiscais do IBAMA estão sofrendo um aumento das hostilidades e intimidação na Amazônia, incluindo carros incendiados e até ameaças de morte.

Escolhido o próximo Ministro do Meio Ambiente: Ricardo Salles, que ocupou o cargo de Secretário do Meio Ambiente no Governo Geraldo Alckmin, e pelo visto caiu como uma luva para o novo presidente. Durante sua passagem (1 ano) na Secretaria, Salles foi o centro de várias polêmicas e foi recentemente condenado pela justiça por improbidade administrativa.

O novo Ministro foi acusado pelo Ministério Público de fraudar o processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, em 2016, quando estava à frente da pasta.

“Bolsonaro não escolheu Salles por motivos técnicos, mas por afinidade ideológica”, afirmou o jornalista  André Trigueiro. O cargo que ele vai ocupar exige a capacidade de conciliar o desenvolvimento rural com o necessário cuidado com as florestas e o meio ambiente.

Um Ministro, que foi tão fortemente apoiado pelo setor rural mais retrógrado, acaba se tornando suspeito mesmo antes de assumir. Será que ele vai ter mesmo autonomia (e vontade) para fiscalizar o setor rural? Controlar o uso indiscriminado de agrotóxicos? E aqueles “velhos conhecidos” que produzem queimadas e desmatamentos ilegais?

É de interesse econômico mundial que não haja mais desmatamento ilegal no Brasil. Porque se continuar, a conta vai ficar muito cara para todos os setores.

Infelizmente o novo Governo Bolsonaro começou muito mal, criticando a fiscalização ambiental, ameaçando tirar o Brasil do Acordo de Paris contra o Aquecimento Global, e pelo visto vem mais atrasos por aí. 

Mas vamos aguardar pra ver como será, e se necessário for, RESISTIR !

ANDRÉ MIRAGAIA (PV) é ambientalista e atual Diretor de Licenciamento da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de Mogi das Cruzes/SP.

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