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A professora da Unesp Klécia Gili Massi, membro do Comam

Tânia Campelo/Meon

Foi acalorada a reunião realizada na tarde desta quarta-feira (4) para discutir o destino do Bosque da Tívoli, que pode virar estacionamento na Vila Betânia, região central de São José dos Campos. Participantes ressaltaram prejuízos ambientais que poderão ser gerados pela supressão das 430 árvores da área verde e ainda apontaram omissão da prefeitura e possível negligência na condução do processo de licenciamento ambiental do projeto.

Ao final da reunião, organizada pelo Comam (Conselho Municipal de Meio Ambiente), foi constituída uma Câmara Técnica de Arborização que vai analisar a legislação, relatórios e laudos técnicos que fundamentaram o licenciamento ambiental concedido pela Cetesb. Também ficou decidido que o órgão ambiental do Estado vai solicitar um estudo da fauna existente na área verde. 

A prefeitura deu aval para a Cetesb iniciar o processo de licenciamento ambiental da obra no ano passado sem consultar o Comam. O órgão não tem poder para impedir qualquer ação da prefeitura, mas é consultivo e representa a 'voz' a sociedade nas questões ambientais.

Quando o gerente da Cetesb em São José, Marcos Vinicius Pinto da Cunha, declarou em sua apresentação que os relatórios apontavam  grande quantidade de árvores exóticas e bambu e que considerou desnecessário o levantamento da fauna do local, causou uma forte reação dos moradores e ambientalistas. 

Por diversas vezes Cunha foi interrompido pelos moradores, que se manifestavam indignados. "Essa fala é da empresa!", disse Ana Maria Pereira Cesar Leite, indicando que Cunha defendia os interesses da Marcondes Cesar.  Ana Maria tem de 48 anos e desde a infância mora na Vila Betânia.

Para a membro do Comam Klécia Gili Massi, professora de Conservação de Recursos Naturais e de Recuperação de Áreas Degradadas, na Unesp de São José dos Campos, os relatórios que embasaram o licenciamento ambiental não consideraram diversas questões que seriam fundamentais para a tomada de decisão.  

"Não importa se são nativas ou exóticas, todas as árvores são importantes e têm função ecológica. São importantes para a redução da temperatura, para regulação do ciclo hidrológico e para qualidade do ar. Toda área verde é importante", disse.

O Bosque da Tívoli ocupa um terreno de 8,4 mil metros quadrados e abriga 274 árvores adultas nativas e 156 árvores exóticas, de acordo com a placa afixada na entrada da área verde pelo Grupo Marcondes Cesar.

A construtora não deverá reiniciar o corte das árvores até que a Câmara Técnica conclua seus trabalhos, segundo garantiu o engenheiro Ronaldo Madureira, diretor da Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade da prefeitura, que presidiu a reunião do Comam.

Atualmente a obra está embargada pela Justiça, mas os moradores temiam que a empresa derrubasse a liminar a qualquer momento, ficando livre para executar a supressão.

O prazo para conclusão dos estudos da Câmara Técnica não foi definido. O grupo é constituído por 11 membros do Comam e dois representantes dos moradores da Vila Betânia.

O encontro desta quarta-feira contou com a participação de representantes da prefeitura, Cetesb, ambientalistas, moradores da Vila Betânia e entorno, entre outros.  Nenhum membro do Grupo Marcondes Cesar participou da reunião. A empresa foi representada pelo engenheiro Willian Portela, contratado para fazer a consultoria ambiental no processo encaminhado à Cetesb.

Portela fez uma apresentação técnica e, por diversas vezes, foi contestado pelos moradores. Madureira, representante da prefeitura, também foi muito criticado durante sua apresentação,  por dedicar boa parte para apresentação dos projetos de arborização e educação ambiental desenvolvidos pela prefeitura.

"Não gostei da fala deles, principalmente da Cetesb e do consultor da empresa. Eles minimizaram a questão, não consideraram o impacto verdadeiro que a supressão das árvores vai gerar", disse o engenheiro Valter Bento da Silveira, morador da Vila Betânia.

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À esq., o engenheiro Ronaldo Madureira, da prefeitura; à dir., o engenheiro Willian Portela, consultor da Marcondes Cesar

Tânia Campelo/Meon