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Em São José, a previsão é que seja produzido 1,56MW de potência para abastecer 4 mil residências

Divulgação/Antonio Basílio/PMSJC

 A geração de energia por meio do biogás captado no aterro sanitário de São José dos Campos está mais próxima de acontecer. A KR Energia Ltda, concessionária responsável pela produção, já obteve duas de três licenças necessárias para realizar o serviço. A previsão é de que seja produzido 1,56 mega watts de potência, capaz de abastecer até 4 mil residências.  

A empresa obteve em maio deste ano licença da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para instalação dos equipamentos. A contar daquele período, a concessionária tem prazo de 12 meses para executar as obras necessárias para execução do serviço.

O contrato entre a Prefeitura e a empresa, entretanto, foi firmado em 26 de junho de 2016, na gestão do ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT). O processo de implantação teve continuidade na atual gestão tucana Felício Ramuth. O valor global estimado do contrato é de R$ 2.109.120,00 pelo prazo de 10 anos, podendo ser renovado.

A partir da finalização do processo de instalação, a companhia vai pleitear a licença de operação junto ao órgão ambiental do Estado de São Paulo. Pelo contrato, um percentual de 5% sobre a receita da venda de energia gerada será revertido à Urbam (Urbanizadora Municipal).

Para o engenheiro ambiental Bernard Felipe Batista, iniciativas como esta deveriam ser tomadas pelas gestões municipais desde o projeto de desenvolvimento dos aterros sanitários. “Construir um aterro apenas para gerar energia é inviável, mas visando a sustentabilidade as gestões municipais deveriam se atentar a esse detalhe desde a fase inicial do projeto de construção do aterro”, afirma.

Ainda segundo Bernard, que é também membro da diretoria da Associação Paulista de Engenheiros Ambientais de São Paulo (APEA/SP), é importante que cuidados sejam tomados quanto a manutenção dos equipamentos. “A coleta do gás é feita através de dutos, mas antes disso ocorrer é preciso haver um monitoramento para que não haja o risco de explosões ou poluição do ar com vazão do gás”, explicou.

Outra cidade da RMVale também vai produzir energia através da queima de gás captado em aterros sanitários. Tremembé, cerca de 70 km de distância de São José, vai gerar 4,2 mega watts de energia, o que seria suficiente para abastecer uma cidade de 60 mil habitantes.

Funcionamento

Em São José, o biogás será utilizado como combustível para movimentação de um motogerador (combustão interna ciclo Otto) fabricado pela Caterpillar na Alemanha. A energia gerada percorrerá uma rede interna de distribuição, com 700 metros de extensão, até o Transformador da EDP Bandeirante, próximo ao portão de entrada da ETRS (Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos), que abriga o aterro sanitário. Este empreendimento ocupará uma área de 400 metros quadrados ao ar livre. De acordo com a Cetesb, é impossível saber a previsão de início da produção de energia, pois o processo depende, integralmente, de como a empresa executa as atividades.

Aterro

O Aterro Sanitário de São José funciona desde 1985, possui aproximadamente 490.036 m² de área física e recebe apenas os resíduos sólidos urbanos da cidade de São José dos Campos. O espaço recebe aproximadamente 696 toneladas por dia ou 18.083 toneladas por mês. A estimativa de vida útil do aterro sanitário é de 8,5 anos.