Os juros futuros, a exemplo do que foi visto pela manhã desta segunda-feira, 8, continuaram se movimentando lateralmente durante a tarde, para fecharem estáveis nos vencimentos curtos intermediários e com viés de alta na ponta longa, a despeito da queda firme do dólar ante o real. Além do noticiário e agenda considerados sem força para mexer com os preços, o compasso de espera pelos eventos da semana, em especial na seara política, explica a postura um pouco mais observadora do investidor, denunciada também pelo volume reduzido de contratos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a etapa regular em 6,475%, de 6,470% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2021 passou de 7,031% para 7,05%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 8,20%, de 8,152%. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 8,702% para 8,76%.

"Tivemos hoje (segunda) movimentos bem pontuais, é até arriscado emitir avaliação, pois o dia foi neutro em termos de fluxo de notícia", disse o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal.

Na ponta curta, a movimentação é travada, em boa medida, pela sinalização emitida pelo Banco Central (BC) de que a Selic deve permanecer por um longo período nos atuais 6,50%. "Fica difícil mexer nesses curtos com expectativas solidificadas e o BC condicionando os movimentos da Selic à reforma", disse Rosal.

O dia trouxe uma série de notícias no campo político, mas que não foram capazes de influenciar as taxas. Foi confirmada a demissão de Ricardo Vélez Rodriguez do comando do Ministério da Educação, que já era esperada. Ele será substituído por Abraham Weintraub, que era secretário-executivo da Casa Civil. Houve ainda pesquisa da XP mostrando menor otimismo do mercado sobre a tramitação da reforma da Previdência; e, no domingo, a pesquisa Datafolha apontando que o presidente Jair Bolsonaro tem a pior avaliação entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato nos 100 primeiros dias de gestão.

O investidor esteve mesmo à espera do andamento da reforma. Amanhã (terça), é esperada a entrega do relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que deve ser discutido no dia 15 e votado no dia 17. Além disso, Bolsonaro tem várias reuniões com presidentes de partidos nesta semana, o que traz ao mercado esperança de melhora na articulação dos apoios para a proposta.

Um dos temores do mercado é quanto ao grau de desidratação do potencial de economia fiscal, originalmente de R$ 1 trilhão em dez anos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou que admita valor inferior com a aprovação. Questionado sobre se admitiria uma economia de R$ 800 bilhões, Guedes fez, ao chegar a evento em Brasília, um sinal negativo com a mão e afirmou que precisa de R$ 1 trilhão para lançar o regime de capitalização.