O mercado de juros deu sequência nesta tarde de quinta-feira, 14, ao movimento de correção de parte do alívio de prêmios visto nos últimos dias, e as taxas, que na quarta caíram às mínimas históricas, fecharam em alta. O ajuste foi maior na parte longa da curva, com avanço em torno de 10 pontos-base nos contratos mais líquidos, refletindo a piora no humor dos mercados internacionais. O noticiário em torno da Previdência, com a formatação do projeto sobre os militares, esteve no radar. Na agenda, como as vendas do varejo vieram acima das medianas das estimativas e, assim, não alimentaram o cenário de quarta traçado pela produção industrial e que estimulou apostas de corte da Selic, o mercado se sentiu mais confortável para embolsar lucros.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a etapa regular em 6,390%, de 6,355% na quarta no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 subiu de 6,911% para 6,97%. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 8,08%, de 7,982%. A taxa do DI para janeiro de 2025 avançou de 8,501% para 8,61%.

"O movimento dos últimos dias foi muito forte e todo mundo está botando dinheiro no bolso, esperando o Copom na semana que vem e o recado do novo presidente", disse o economista da GAP Economics Gustav Gorski, referindo-se a Roberto Campos Neto. É grande a expectativa do mercado pela avaliação do Copom sobre o quadro para a atividade, em especial após o indicador fraco da produção na quarta, que mostrou queda de 0,8% em janeiro ante dezembro, maior do que apontava a mediana das previsões (-0,27%).

Nesta quinta as vendas do varejo de janeiro, ao contrário, vieram melhores do que as medianas. No conceito restrito, subiram 0,4% em janeiro ante dezembro, ante mediana de +0,10%. No varejo ampliado, as vendas cresceram 1,0% na margem, ante mediana de 0,30%. Os resultados deram um pouco de alento, após a decepção com a indústria, mas não alteram previsão de que atividade está fraca. De todo modo, colocaram a discussão sobre a queda da Selic em stand by.

O noticiário sobre a proposta de reforma tem sido acompanhado com lupa, mas nem sempre com efeito definido sobre os negócios. O envio do texto que reestrutura a carreira dos militares, na quarta, ao Ministério da Economia é boa notícia, mas há desconforto com o fato de a proposta incluir, segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, aumento de salário para a categoria, ponto em que há divergências entre a equipe econômica e o núcleo militar.