O governo de Israel decidiu autorizar a visita da deputada americana Rashida Tlaib, do Partido Democrata, ao país nesta sexta-feira, 16, depois de negá-la um dia antes. A parlamentar, de origem palestina, no entanto, decidiu desistir da viagem mesmo com a permissão.

Israel vetou a entrada no país de Tlaib e de outra congressista americana, Ilhan Omar, em consequência de seu apoio à campanha de boicote ao país e após um pedido do presidente americano, Donald Trump.

Nesta sexta, no entanto, o ministro do Interior Aryeh Dery decidiu nesta sexta-feira autorizar a entrada de Tlaib "para uma visita humanitária a sua avó". A deputada, então, declinou da visita.

"Visitar minha avó nessas condições opressivas vai contra tudo que acredito na luta contra o racismo, a opressão e a injustiça", disse a parlamentar.

Avó da deputada vive perto de Ramallah

Antes do impasse, a deputada tinha pedido a autoridades israelenses a permissão para entrar na Cisjordânia e visitar a avó, que mora em Beit Ur al-Fauqa, perto da Ramallah, na Cisjordânia.

"Pode ser minha última oportunidade para visitá-la", escreveu a congressista. "Me comprometo a respeitar todas as restrições e a não promover o boicote contra Israel durante minha visita", completou no texto.

Deputada tem origem palestina

Rashida Tlaib é a primeira congressista americana de origem palestina. O território de Israel é a porta de entrada para os Territórios Palestinos.

O movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) defende o boicote econômico, cultural e científico de Israel para protestar contra a ocupação dos territórios palestinos.

Israel aprovou em 2017 uma lei que permite a proibição de entrada em seu território dos partidários do BDS, que o país denuncia como antissemitas, acusações que os ativistas rejeitam.

Veto foi anunciado após pressão de Trump

A decisão foi divulgada pouco depois de Trump dizer em um tweet que Israel "mostraria grande fraqueza" se permitisse a entrada das congressistas, que protagonizaram fortes embates com a Administração republicana e às quais o presidente americano acusa de "odiar a Israel".

O premiê Binyamin Netanyahu garantiu que o itinerário detalhado da viagem prevista por ambas deixava claro que "o único propósito da viagem era danificar Israel e aumentar a incitação contra" o país.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) classificou o veto de "escandaloso ato de hostilidade contra o povo americano e seus representantes" e afirmou que "Israel, sendo a potência ocupante ilegal na Palestina, não tem direito a impor tal proibição". (Com agências internacionais)