A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos divulgaram posicionamentos em apoio ao conselho militar de transição no Sudão, após protestos massivos nos últimos meses terem forçado o presidente Omar al-Bashir a sair do poder.

A Arábia Saudita declarou que "apoia o povo sudanês" e pediu a todos os cidadãos do país para "priorizarem o interesse nacional". O rei saudita Salman ordenou um pacote de ajuda não especificado para o Sudão, que inclui produtos de petróleo, trigo e remédios. Já os Emirados Árabes Unidos solicitaram aos sudaneses que "trabalhem para proteger a legitimidade e garantir a transferência pacífica de poder". Na sexta-feira, o país saudou a posse do general Abdel-Fattah Burhan como chefe do conselho.

Os organizadores dos protestos no Sudão contra o ex-presidente Omar al-Bashir estão realizando neste domingo um segundo dia de negociações com o conselho militar, depois de reivindicar a "imediata e incondicional" entrega do poder a um governo civil de transição que governaria por quatro anos.

O líder da oposição ao Partido do Congresso Sudanês (do ex-presidente al-Bashir), Omer el-Digair, disse que as negociações de domingo seriam sobre a apresentação das demandas dos organizadores e o plano de transição, além do pedido de dissolução do Partido do Congresso. "Nós exigimos a reestruturação do aparato de segurança atual", disse El-Digair. "Não precisamos de um aparato que detenha as pessoas e feche os jornais."

Os partidos políticos e movimentos por trás dos quatro meses de protestos disseram em um comunicado conjunto no sábado que permanecerão nas ruas até que suas exigências sejam atendidas. Entre elas está a transferência do governo militar para o governo civil. O Exército do Sudão foi quem nomeou o conselho militar, que deve governar por dois anos ou menos, enquanto as eleições estão sendo organizadas.

Em fevereiro, Al-Bashir impôs um Estado de emergência, proibindo reuniões públicas não autorizadas e concedendo amplos poderes à polícia, em um esforço para anular os protestos. Dezenas de pessoas foram mortas em confrontos entre policiais e manifestantes, e centenas foram julgadas em tribunais de emergência. Fonte: Associated Press.