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Cuidado, o título engana! Você chegou a esse texto com o intuito de entender o paradoxo descrito no título, certo? Como pode alguém que nem se formou já lecionar? Eis o ponto do artigo de hoje.  A palavra “aluno” deriva de alumnus, cujo significado é de “afilhado”. Belíssimo, não? Quando alguém se responsabiliza a ter um afilhado, este se torna seu aluno. E aqui entramos com o título do texto.

Participo de um programa de tutorias já há 3 anos, desde sua formação, cujo intuito resume-se a incentivar que alunos lecionem outrem, muitas vezes nossos próprios amigos. E, por isso, trato a todos como alunos, pois faço questão de tê-los como afilhados em prol da Educação, oferecendo minha alegria e dedicação transmitidas em forma de aulas de Sociologia, Filosofia ou Geografia.

Aliás, o próprio ato de educar é muito simbólico. “Educar” deriva de educare, cuja resolução é de “conduzir”.  Isto é, tenho afilhados para que eu possa conduzi-los da melhor forma possível. Talvez seja esse o real intuito da tutoria, cuidar e conduzir. Pois, não seria isso o que os professores também fazem? Bem, “passar o conhecimento é um trabalho de professor, um tutor passa a vontade de repassar o conhecimento”, disse a minha dupla de sociologia, Luís.

O ato de ensinar torna-se libertador àquele que se responsabiliza, pois é algo recíproco. Muito sei que quando falo e conduzo uma aula torno-me afilhado daqueles que me ouvem e, portanto, sou conduzido por eles, permanecendo todos num mesmo ciclo de aprendizado. Talvez a tutoria seja algo egoísta por minha parte, pois enquanto transmito conceitos de sociologia recebo algo ainda mais gratificante e de plenitude pessoal – a certeza de que a educação vale por si só. Um eterno obrigado àqueles que me fazem um aluno.