jovem lendo livro

Desde criança, quis ser jornalista. Não sei muito bem o porquê, só sei que gostava muito de escrever. Foi minha primeira opção, mas não a primeira faculdade. Primeiro entrei em Engenharia, como quem precisa provar para si mesmo que se esgotaram todas as outras opções antes.

Entrei em Jornalismo e entendi que, na verdade, eu não cursava porque gostava de escrever, aparecer na televisão, ou falar na rádio. Eu gostava de formar opiniões, fazer as pessoas pensarem. O mesmo aconteceu quando criei o Beco Literário, no ramo do entretenimento. Eu queria entreter, mas queria que as pessoas pensassem por si próprias também.

Com o tempo, ganhei seguidores e com eles vieram os mais variados títulos. Influenciador, criador de conteúdo, blogueiro, instagrammer, youtuber... Aceitei todos igualmente e continuei no meu caminho de entreter formando opiniões. Antes de todos esses títulos, quem formava opinião eram os jornalistas. Antes de ser jornalista então, eu queria ser formador, e esse talvez seja o título mais correto para nós, ou a maioria de nós.

Vou usar a palavra “influenciador” para diferenciar entre aqueles que formam opiniões e aqueles que apenas influenciam. Toda moeda tem os dois lados, o bom e o ruim. Existem aqueles que influenciam para o bem, e aqueles que nem ligam para isso. Sou do nicho do entretenimento, falo de livros, filmes, séries da Netflix, posto memes... Mas sei reconhecer quando é hora de falar sério, falar de assuntos que talvez não sejam tão legais assim, mas que devem ser debatidos.

É um momento que precisa ser comentado, não importa qual é o posicionamento das pessoas que nos seguem

O Brasil vive um momento delicado na política, principalmente. É um momento que precisa ser comentado, não importa qual é o posicionamento das pessoas que nos seguem. É no debate que percebemos coisas que talvez não consigamos sozinhos. A maioria de nós, influenciadores, tem um alcance incrível que qualquer marca pagaria para ter seu produto anunciado ali nos 15 segundos do Instagram. Porque não usar esses mesmos 15 segundos para falar de um assunto de interesse público e ajudar na formação de opinião dos seus seguidores? Expor seus pontos de vista, para que eles vejam a coisa por outro ângulo, enquanto expõem os deles também, para você ver a coisa de outro ângulo. Diálogo é o antídoto da alienação.

O quão medíocre seria para mim, um influenciador de entretenimento, continuar falando dos próximos lançamentos da Netflix enquanto acontece uma verdadeira guerra civil atrás da tela do meu computador? De que adiantaria me intitular influenciador, se influencio a alienação? Ou pior, de que adiantaria me intitular formador de opinião, jornalista, se encorajo o entretenimento acima da informação da vida real, que assusta mais que o enredo de qualquer livro?

É preciso saber utilizar seus números ao favor comum, seja com 5 ou 50 mil seguidores, leitores... Afinal, eles não estão só ali para ver os seus presentinhos recebidos na caixa postal na tarde de hoje.

gabu camacho

Gabu Camacho é estudante e escreve no Meon Jovem

Arquivo pessoal