As competições paralelas vão acirrar ainda mais a disputa da 46ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela, que começa neste sábado e vai até o dia. No Torneio por equipes, realizado desde a edição de 2014, a briga será entre clubes, associações ou cidades. O campeão recebe o troféu transitório Pen Duick II. O nome é uma homenagem ao Pen Duick II, veleiro do francês Eric Tabarly, vencedor da regata em solitário transatlântica Ostar, em 1964.

As regras de participação mudaram para a edição deste ano. Os times devem ter quatro barcos, um da classe Orc, um da IRC, um da RGS e um da Bico de Proa. Para a classificação serão considerados os pontos somados por cada barco em todas as regatas disputadas até 19 de julho. Vence a equipe que somar menos pontos no total. A premiação será feita na sexta-feira (19) à noite, véspera das provas finais.

No ano passado, a grande campeã foi a equipe CIZ, formada pelos barcos San Chico/ORC, Inaê 40/IRC e Zeus/RGS).

“O Torneio por Equipes foi uma inovação da Semana de Vela de Ilhabela, e uma nova forma de integração com equipes de outras classes. A disputa do ano passado foi nossa primeira experiência no torneio e foi muito legal. Nós despontamos bem na ORC, o Inaê foi muito bem na IRC e o Zeus também foi muito bem na RGS. As três tripulações fizeram seu trabalho bem feito representando suas categorias”, lembra Francisco Freitas, comandante do San Chico. “Este ano ainda não conversamos com ninguém para formar uma equipe. Em 2018 foi o pessoal do Inaê que nos chamou. Se eles quiserem contar conosco novamente, estamos à disposição.”

Para Francisco Freitas, o alto nível técnico das equipes vindas do nordeste, do Sudeste e do Sul é o ponto forte da Semana Internacional de Vela de Ilhabela, principal competição de vela oceânica da América do Sul. Competindo em Ilhabela desde os 15 anos, o comandante do San Chico destaca a força dos gaúchos entre os competidores.

“Temos duas escolas muito fortes no Rio Grande do Sul, a Jangadeiros e Veleiros do Sul. Talvez pelos ventos de todas as condições que sempre temos por lá, acabamos formando bons atletas. Fora as equipes gaúchas, é bem provável encontrar velejadores gaúchos em outras tripulações. Isso mostra que estamos sempre exportando atletas, o que nos deixa orgulhosos da forma como representamos o estado”, garante.

A gelaria dos campeões do Torneio por Equipes está assim: 2018 – CIZ (San Chico/ORC, Inaê 40/IRC, Zeus/RGS), 2017 – Ageless (Miragem/ORC, Rudá/IRC, Bravo/RGS), 2016 – São Paulo – (Rudá, AsbarIV, Mussulo III), 2015 – ICRJ – (Seu Tatá, Magia, Kalymera, Kybixu) e 2014 – Escola Naval (Bijupirá, Breklé, Dourado, Quiricomba).

Inspeção

A organização da Semana Internacional de Vela de Ilhabela fará inspeção antecipada de segurança e medição de todos os barcos. As nove classes inscritas na competição passarão pela fiscalização. Nas raias de Ilhabela estarão barcos de rating, como ORC, IRC, RGS, Bico de Proa, Clássicos, Multicascos e Mini Transat, além dos monotipos HPE-25 e C30. São mais de 100 equipes confirmadas.

“O equipamento AIS, que é o equipamento de comunicação VHF entre os barcos, é muito importante para saber a posição dos barcos em relação ao outro, isso dá uma segurança maior durante a regata para os próprios competidores e outras embarcações nas proximidades”, comenta Edge Gerdullo, responsável pela engenharia de sistema e reparos de eletrônicos.

Os medidores vão analisar vários itens para liberar os barcos para as provas, como tamanho do barco, o material de vela, capacidade de tanques, ano do barco, comprimento de linha d’água, por exemplo. O objetivo é garantir que o resultado justo ao final do evento.

“Os números vão para uma planilha e geram um número. Esse coeficiente multiplicado pelo tempo de prova é o resultado final do barco”, explicou Clauberto Andrade, medidor da RGS.

A RGS lidera o número de inscritos na Semana Internacional de Vela de Ilhabela. A regra geral simplificada foi criada no Brasil para liberar barcos de cruzeiros a vivenciarem uma regata. “Hoje é uma classe que tem muitos barcos e se modificou bastante ao longo dos anos, com o objetivo de deixar o mais justo possível. É difícil chegar mas já diminuímos muito essa desigualdade”, reforçou Clauberto Andrade.

“É difícil dizer o que é uma boa medição. Não existe uma boa medição. O que pode acontecer é uma soma de fatores. Por exemplo, um barco bem antigo, andador, é bonificado pelo tempo. E uma equipe de velejadores ativa vai fazer a diferença. As coisas precisam andar juntas: uma boa tripulação e a medição do barco.”

Para o velejador Marcelo Bellotti, é importante que os barcos sejam medidos conforme a regra, premissa básica da competição. “Mas isso não garante que todos sejam igualmente competitivos. Tem barcos que medem melhor que outros. É normal ver um barco velejar melhor e não ser o vencedor”.

Como disse Bellotti, numa regata com barcos diferentes, o que cruza a linha de chegada em primeiro, chamado de Fita-Azul, não pode ser declarado vencedor, já que é preciso calcular seu rating após todos terminarem a prova.

O controle e posicionamento dos barcos também são feitos por meio de AIS, um equipamento de comunicação VHF entre os times nas regatas em Ilhabela e a comissão. “Isso oferece uma segurança maior entre os competidores e outras embarcações nas proximidades. Por isso, o equipamento deve estar funcionando”, explicou Edge Gerdullo, especialista em segurança náutica.

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Na foto (de Aline Bassi/Balaio de Ideias), a largada de uma das regatas do ano passado.