Antes de iniciar sua entrevista coletiva, o técnico Didier Deschamps, campeão do mundo neste domingo, foi surpreendido por um banho de champanhe dos jogadores franceses, que invadiram a sala de entrevistas do Luzhniki Stadium. Vários atletas subiram na mesa gritando "Didier Deschamps". Pogba, autor de um dos gols da final e o mais animado do grupo, gritou "Deschamps é campeão do mundo". Um pouco constrangido, o treinador pediu desculpas e disse: "Eles são jovens e estão felizes", afirmou.

No ponto alto da carreira de treinador, Deschamps também estava feliz. Ele se tornou o terceiro homem no planeta a ser campeão do mundo como jogador e treinador. Só o brasileiro Zagallo (1958, 62 e 70) e o alemão Franz Beckenbauer (74 e 90) ostentam essa honra.

"É um prazer estar nesse círculo. Isso traz orgulho pessoal, é verdade, faz parte da minha história, mas o que é importante é que esse grupo tão jovem de jogadores conseguiu o título. Esse grupo de 23 jogadores está ligado para sempre. A vida deles nunca mais será a mesma. Eles são diferentes agora. São campeões do mundo", afirmou o treinador em entrevista coletiva.

A chegada à final foi um triunfo pessoal. Até a Copa da Rússia, os franceses não engoliram a derrota para Portugal dentro de casa na Eurocopa de 2016. "Aquela derrota doeu muito. Mas isso é tão bonito, tão maravilhoso. Mesmo que já tenha havido outros campeonatos antes, é preciso lembrar que é um feito hoje. Não jogamos um jogo fantástico, mas enfrentamos uma equipe de qualidade. Estou muito feliz por esse grupo, pois temos uma longa jornada, não foi algo simples. Isso é resultado de muito trabalho, passamos por alguns momentos difíceis, mas agora eles estão no topo do mundo por quatro anos", disse o treinador.

A França fez uma campanha consistente na Copa da Rússia, com seis vitórias e apenas um empate. O time não precisou de prorrogações para superar uma fase depois da outra. Para o treinador, o jogo mais importante foi a vitória sobre a Argentina. "Passar pela Argentina, uma grande seleção, trouxe confiança e força psicológica. Nós fizemos quatro gols (vitória por 4 a 3). O talento não é o principal diferencial. A força mental também é muito importante", disse o treinador.

Deschamps também analisou os resultados surpreendentes da Copa, quando grandes seleções, como Argentina, Brasil e Alemanha foram eliminadas precocemente. "A Copa mostrou que pequenas nações podem implementar grandes sistemas defensivos e também atacar. Quando você defende, você também pode criar oportunidades. Foi uma grande Copa. Ela mostrou como é importante a intensidade e a disposição física dos atletas. Existem várias estatísticas que mostram como os jogadores correram. Todos os atletas acreditaram que podiam fazer isso e conseguiram."